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Jogos indie peculiares pelos quais estamos apaixonados: Indie Selects de fevereiro
A equipe de ID@Xbox sentiu o brilho peculiar de fevereiro no ar, então selecionamos 6 aventuras fora do comum que combinam com esse charme deliciosamente estranho. De uma comédia britânica desenhada à mão a uma corrida psicológica contra o tempo para salvar uma cidade assolada pela peste, esta seleção traz propostas ousadas para todos os gostos.
Enfrente o capitalismo de conto de fadas, acomode-se em uma vida agrícola mágica, encare uma odisséia de pesca cheia de tensão ou comande um grupo de JRPG retrô em ação de exploração de masmorras.
Seja você fã de tranquilidade, comédia, caos ou de uma luta pela sobrevivência, temos algo único – e inesperadamente – perfeito para você neste mês (sem ordem específica):
Thank Goodness You’re Here!

Oscar Polanco: Humor em videogames é notoriamente difícil de acertar, mas a equipe da Panic pode ter decifrado o código com Thank Goodness You’re Here!, um jogo de aventura cômica que emplaca piada após piada com uma confiança admirável e timing impecável.
Thank Goodness You’re Here! é um animado jogo de aventura desenhado à mão, com um estilo artístico que lembra “Monty Python” de Terry Gilliam e outras animações britânicas surreais dos anos 1960 e 1970, combinando esse visual com um humor britânico afiado e característico.
O resultado é um jogo que parece grosseiro à primeira vista, mas que é claramente bem projetado, com momentos genuinamente hilários. Desde a cena de abertura, o jogo estabelece sua premissa bizarra e raramente desacelera. Você joga como um pequeno vendedor, quase sempre silencioso, vagando pela fictícia cidade de Barnsworth, no norte da Inglaterra.
O progresso é totalmente impulsionado pela interação: cutucando, puxando, batendo e se metendo em situações cada vez mais absurdas e estranhas. O jogo recompensa a curiosidade, o timing e a disposição de abraçar o absurdo.
A dublagem (em inglês) é excelente, incluindo a presença inconfundível de Matt Berry, que transmite perfeitamente o tom do jogo. Thank Goodness You’re Here! confia que você encontrará o humor, sem explicar demais, e entrega o controle para que o timing cômico faça seu trabalho.
Encantador, estranho, seguro de sua própria loucura e nunca se tornando cansativo, Thank Goodness You’re Here! se destaca como um dos jogos de comédia mais memoráveis dos últimos anos. Até logo.
Pathologic 3
Steven Allen: Pathologic 3 é um jogo que permanece na mente muito tempo depois que você larga o controle. A clássica série de sobrevivência psicológica cult da Ice-Pick Lodge retorna com uma nova sequência que reimagina seu mundo assombroso para o hardware moderno, mantendo-se fiel ao que torna Pathologic tão único.
Este não é um survival-horror baseado apenas em reflexos ou medo. É sobre pressão — aquela que cresce silenciosamente enquanto o tempo avança e a cidade se recusa a esperar por você.
Desde o momento em que você chega, o mundo parece hostil de maneiras sutis. As conversas são desconfortáveis. As informações são fragmentadas. Até decisões simples são carregadas de peso.
Jogando Pathologic 3, eu tive a sensação constante de que cada escolha — para onde fui, quem ajudei, o que ignorei — carregava consequências que só entenderia muito tempo depois.
Você joga como um médico enfrentando uma praga que não pode simplesmente ser curada. Os recursos são escassos, e os moradores da cidade parecem menos como personagens de missão e mais como pessoas tentando sobreviver ao seu lado. Salvar uma vida frequentemente significava negligenciar outra, e houve momentos em que fazer “a coisa certa” só piorou a situação.
O foco não está no combate. A sobrevivência depende de gerenciar fome, exaustão, infecção e confiança — tanto a sua quanto a da cidade. A tensão não explode; ela se acumula lentamente. Mais de uma vez, eu hesitei antes de tomar uma decisão, sabendo que o jogo não me impediria de errar — apenas guardaria esse erro.
No Xbox Series X|S, Pathologic 3 se beneficia de tempos de carregamento mais rápidos e iluminação aprimorada, além de detalhes ambientais, mantendo a experiência ininterrupta e profundamente imersiva. A cidade parece opressiva, viva e desconfortavelmente próxima.
Pathologic 3 é um jogo que confia nos jogadores para lidar com desconforto, ambiguidade e consequências. A praga está de volta ao Xbox — e está observando como você escolhe enfrentá-la.
Escape from Ever After

Deron Mann: Escape from Ever After é uma experiência acolhedora e excêntrica que assume com orgulho suas inspirações. O que começa como uma história atípica de herói indo derrotar o dragão rapidamente se transforma em uma aventura no estilo “buddy cop” sobre capitalismo, conglomerados do mal e subir na hierarquia corporativa para destruir uma empresa por dentro.
É muito leve e bobo — e, de alguma forma, a coisa mais genial que joguei em um bom tempo.
A premissa gira em torno do herói Flynt Buckler, do vilão Tinder, o Dragão, e de sua trégua temporária para impedir a Ever After Inc. — um conglomerado do “mundo real” determinado a infiltrar contos de fadas e folclores amados para explorar recursos e personagens como mão de obra.
Como resultado, você encontrará Pinóquio trabalhando em um escritório, Chapeuzinho Vermelho como recepcionista, os Três Porquinhos como uma construtora maligna e Drácula como… alfaiate. Também verá coisas como impressoras servindo de pontos de salvamento, moedas de ouro chamadas de “salários” e café sendo a sua barra de mana.
Adoro como o jogo explora a mistura do mundo corporativo com o universo fantástico, e fiquei curioso para descobrir quais histórias foram incluídas e como foram impactadas pela Ever After.
Quanto à jogabilidade principal, é um RPG acessível que combina plataforma, quebra-cabeças e exploração de forma equilibrada. O combate é por turnos, mas utiliza mini games baseados em timing para aprimorar as ações. Historicamente, nunca fui muito fã de RPGs por turnos, então isso ajudou a tornar o combate envolvente e, sem dúvida, foi muito satisfatório executar bem as mecânicas.
Há também um pouco de gerenciamento de equipe, já que você recruta personagens de diferentes histórias, um sistema de níveis, habilidades para desbloquear e uma personalização leve com fantasias e afins. Esse jogo é incrível e me diverti demais jogando. Pela variedade de história, jogabilidade e acessibilidade, sinto que é um jogo que posso recomendar facilmente para qualquer pessoa.
Wylde Flowers
Raymond Estrada: Wylde Flowers é um simulador de vida na fazenda que se destaca por romper com as normas do gênero ao contar com um elenco totalmente dublado e uma abordagem centrada na história.
Em vez de criar seu próprio avatar do zero, você assume o papel de Tara, que retorna à sua pacata cidade natal em uma ilha depois de vinte anos para ajudar a cuidar da fazenda de sua avó. Não demora muito para Tara descobrir que sua avó é na verdade uma bruxa e que ela pode compartilhar as mesmas habilidades.
A jogabilidade mistura agricultura, tarefas diárias, bruxaria e interação social com os moradores, criando um ciclo satisfatório que permanece acessível, mas recompensador.
Você vai colher recursos, aprimorar ferramentas, criar componentes práticos e mágicos e desbloquear novas poções e feitiços. Uma escolha de design especialmente inteligente é a forma como as estações avançam: elas não seguem um cronômetro, mas mudam apenas quando você decide. Essa pequena mudança elimina muita pressão, dando todo o tempo necessário para coletar materiais e concluir tarefas antes de avançar.
Mas a verdadeira magia do jogo está em seu elenco de personagens únicos. A cidade é repleta de moradores comuns, além de alguns residentes com inclinação sobrenatural, todos os quais inicialmente te enxergam como um estranho — o que significa que será preciso conquistar cada um deles.
Cada personagem tem histórias próprias, peculiaridades, segredos e pedidos, e quanto mais tempo você passa com eles, mais os laços se aprofundam, podendo até evoluir para romances. Essas conexões não são apenas detalhes opcionais; elas impulsionam a história, te ajudando a desvendar o que realmente acontece na comunidade e quem está verdadeiramente ao seu lado.
Se você é fã de Animal Crossing e procura algo com camadas narrativas mais ricas envoltas em uma jogabilidade aconchegante de fazenda, esse jogo definitivamente merece sua atenção.
Loan Shark

Provavelmente o jogo mais indie já feito, sem ser em voxels ou 2D, em Loan Shark você interpreta um pescador azarado que deve muito dinheiro para um agiota esperando na praia para fazer um grande estrago em você e em seus entes queridos se não pagar a dívida no prazo.
Para conseguir abater uma dívida aparentemente impossível, tudo que você pode fazer é continuar pescando como se sua vida dependesse disso… porque depende. Afinal, este é um jogo de pesca de terror.
Como um pescador azarado e desesperado para quitar uma dívida, você vai precisar pescar, pescar e pescar coisas do oceano a partir do seu barco caindo aos pedaços, limpar o peixe e jogar sua captura em um baú para receber um pagamento que lentamente reduz a enorme dívida que você acumulou com o agiota-chefe do crime local.
As águas são escuras, os visuais têm aquele aspecto turvo típico de PS2 e os controles são ao mesmo tempo simples e meio desajeitados. Não entre esperando se impressionar com proezas técnicas ou uma apresentação impecável – este é um jogo sobre fazer escolhas, lidar com as consequências e, claro, um peixe falante assustador que te oferece algumas respostas potencialmente fáceis (que também é mais uma escolha a fazer).
E é basicamente isso. Cada partida dura cerca de 45 minutos e, dependendo de como você se sai, pode ter finais bem diferentes. Não quero dar mais detalhes para evitar spoilers, já que o ideal é jogar de mente aberta, disposto a persistir com pouca ou nenhuma orientação e com bastante imaginação (para suprir as limitações técnicas). Mas por favor, pesque à vontade!
Hero Seeker
Raymond Estrada: Esse jogo me atinge com toda a dopamina da nostalgia. JRPGs por turnos do final dos anos 90 e início dos anos 2000 eram totalmente a minha vibe, e Hero Seekers pega essa fórmula clássica e eleva com uma premissa inteligente, personagens fortes e uma apresentação estilosa.
A memória é o que move tanto a história quanto a jogabilidade: você acorda em um mundo onde humanos foram escravizados por demônios e eventos históricos importantes foram reescritos. Você é o único que se lembra do passado verdadeiro, e cabe a você recuperar heróis esquecidos, restaurar o que foi apagado e salvar a humanidade.
O combate é por turnos e gira em torno de escolhas inteligentes de equipe e gerenciamento de recursos. Você pode montar um grupo com até cinco heróis únicos e, embora a maioria das batalhas seja direta, inimigos mais difíceis e efeitos de status exigem uma estratégia extra de vez em quando. Encontros rotineiros podem ser resolvidos automaticamente.
O destaque do jogo está mesmo na coleção de heróis. Você tem acesso a um grande elenco logo no início, incentivando a experimentação ao misturar personagens, montar equipes únicas e otimizar habilidades para que se complementem. Ao longo do caminho, você conhecerá vários heróis marcantes com histórias próprias que se revelam à medida que você os ajuda a recuperar suas memórias.
Hero Seekers mata aquela saudade dos JRPGs das antigas com uma jogabilidade intuitiva e ótima apresentação, adicionando seu próprio toque com o foco na coleta de heróis e narrativa centrada na memória. Recomendo para quem curte JRPGs memoráveis e de estilo clássico.


