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Resident Evil Requiem: dois jogos em um só pacote (e com muita coisa legal)
A longa série Resident Evil possui múltiplas camadas.
Em certos momentos, trata-se de uma ameaça silenciosa, em que você precisa decidir cuidadosamente quando usar cada uma das poucas balas que tem enquanto explora, resolve enigmas e foge de monstros aterrorizantes e muitas vezes impossíveis de matar. Em outros, o foco é a ação intensa, detonando hordas de zumbis com granadas e espingardas.
Resident Evil Requiem, o nono título principal, ousa perguntar: por que não os dois? Requiem realiza esse feito de ser dois jogos em um por meio de protagonistas duplos: a novata da série, a analista do FBI Grace Ashcroft, representa o clássico terror de sobrevivência, enquanto o veterano e verdadeiro exército de um homem só, Leon Kennedy, lidera a ação.
Recentemente, joguei uma demonstração que me permitiu experimentar ambos os estilos — foram três horas desde o começo do jogo, com uma longa seção da Grace entremeada por explosões de adrenalina com Leon.
Você vai poder escolher em qual perspectiva jogar com cada personagem no início do jogo, mas a demo me fez jogar em primeira pessoa com a Grace e em terceira pessoa com o Leon. Isso reflete bem os diferentes níveis de percepção situacional entre uma analista de mesa mais tímida e um agente de campo experiente, além de tornar as seções da Grace ainda mais assustadoras.
No entanto, você pode alternar a perspectiva de qualquer personagem a qualquer momento no menu, o que é um excelente recurso de acessibilidade (e, novamente, uma forma dos desenvolvedores de Resident Evil brincarem com o histórico da série ao alternar entre as duas perspectivas).

Ambos os personagens aparecem no antigo e assustador hospital em suas respectivas investigações e se encontram brevemente antes de serem separados em diferentes partes do prédio para continuarem sozinhos.
Grace sob presão
Basta dizer: Grace Ashcroft está passando por maus bocados. Em meio a todos os horrores à mostra, o que mais me chamou atenção durante meu tempo como Grace foi sua respiração ofegante.
Mais um reflexo do jogador do que uma fantasia de poder, Grace está apavorada por estar no hospital e não tem preparo para aquilo. Mesmo na visão padrão em primeira pessoa, a personalidade tímida de Grace se revela o tempo todo por sua respiração ofegante e seus murmúrios de pânico.
No melhor estilo Resident Evil, minha experiência com Grace foi marcada por vasculhar diferentes alas do hospital para resolver enigmas e coletar chaves do sol, lua e estrela para destrancar a porta principal de saída.
Ervas de cura, balas e armas brancas de uso limitado (além dos espaços no inventário) eram todos escassos, então precisei pensar bem quando usá-los, para não ficar encurralado e sem opções. Ela eventualmente desbloqueia o sistema de criação de itens, permitindo que eu seja ainda mais estratégico com os poucos recursos disponíveis.
Os zumbis que vagavam pelos corredores não eram totalmente desprovidos de consciência; seus locais e ações mostravam que ainda mantinham algum resquício de suas vidas anteriores, realizando uma espécie de pantomima vazia de seus deveres como médicos, enfermeiros, faxineiros, etc.
Alguns pareciam sensíveis à luz, o que criou uma oportunidade para eu acender um interruptor próximo e atrair um deles para fora de um corredor estreito que ele bloqueava para apagá-lo, permitindo que eu passasse despercebido.
Também havia um chef corpulento circulando pela cozinha e corredores próximos, à procura de carne. No pior dos casos, tiros pareciam apenas irritá-lo, então a melhor opção era evitar seu caminho.

Diferente dos jogos anteriores, em que ameaças como Mr. X ou Nemesis eram mais presentes ao longo do jogo todo, Requiem parece trazer uma variedade de horrores mais localizados.
Encontrei — e precisei passar despercebido — pelo chef em sua própria cozinha, e, depois de avançar mais e abrir um atalho próximo, ele passou a patrulhar uma área maior, mas nunca o encontrei fora dos arredores de onde começou.
Meu colega Joe descreveu um monstro diferente, parecido com uma enfermeira, na demonstração do Summer Game Fest em outra seção que eu nunca vi.
Depois, do outro lado do saguão, na ala médica, encontrei mais uma ameaça impossível de matar: um zumbi monstruosamente gordo, com proporções de um bebê gigante, que me deu um baita susto ao destruir uma moldura de porta bem ao meu lado, enquanto eu pegava um item-chave, e depois veio rastejando atrás de mim, destruindo o prédio ao redor e xingando feito louco sobre o quanto estava com fome.
Ele ocupava totalmente qualquer corredor em que estivesse, me obrigando a contornar sua presença enquanto eu seguia explorando aquela ala.
No tempo que passei jogando com a Grace, ficou muito claro: é preciso abordar tudo isso com cautela, porque o cérebro vai superar sua força limitada. Nas vezes em que tentei resolver os problemas dessa seção na base da força — só atirando ou empurrando para passar por todo mundo — foram justamente quando meus esforços mais fracassaram.
O jogo recompensa atenção e pune a impaciência.
Leon – o profissional
Leon, por outro lado, está aqui para botar para quebrar, chutar traseiros, e por aí vai.
O galã oficial de Resident Evil está de volta, e enquanto Grace passa o tempo se esgueirando assustada, ele resolve tudo com chutes giratórios e piadas.
“Acho que quero uma segunda opinião”, diz ele, secamente, depois de eliminar uma sala cheia de funcionários médicos zumbis que o cercam no início da minha sessão. Para reforçar ainda mais o tom exagerado, o médico estava com uma motosserra por algum motivo, que eu, claro, peguei e usei contra eles.
As seções do Leon têm muito mais inimigos, porque ele está muito mais preparado para lidar com eles. Além de ter mais armas, balas e chutes potentes, Leon conta com um machado que, diferente das facas descartáveis da Grace, só fica cego com o uso e pode ser afiado a qualquer momento.
Ao explorar áreas pelas quais já tinha passado com a Grace, eu podia usar esse machado para arrombar armários, que normalmente estavam cheios de munição.
Além de simplesmente revisitar áreas anteriores ao retornar como Leon, o que é impossível de matar com a Grace nem sempre está fora do alcance das habilidades do Leon. “Desculpa, mas eu não estou no cardápio”, ele disse com arrogância para um daqueles monstros famintos que antes eram imunes, logo depois de detoná-lo com uma escopeta.

É comum em jogos encontrar um chefão no início e não conseguir derrotá-lo, mas aqui isso é usado de um jeito interessante para contrastar as capacidades dos personagens, trazendo uma sensação de vingança catártica ao ver o Leon intimidando algo que parecia tão perigoso para a Grace.
As seções do Leon eram deliciosamente grandiosas, barulhentas e exageradas, sendo um alívio depois da minha exploração tensa com a Grace. O equilíbrio entre dois tons e estilos de jogo distintos funcionou muito bem no contexto limitado da demo, cada um realçando o outro pelo contraste, e estou animado para ver como isso se desenvolve ao longo do jogo inteiro.
A série Resident Evil teve muitas fases nos últimos 30 anos, e os desenvolvedores de Requiem conseguiram a façanha de criar uma sequência que abraça tudo isso.
Resident Evil Requiem chega ao Xbox Series X|S em 27 de fevereiro.


