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Shinobi: Art of Vengeance – como a paixão de um estúdio francês trouxe uma lenda japonesa de volta
A lendária franquia Shinobi retorna esta semana com Shinobi: Art of Vengeance, disponível para Xbox Series X|S e Xbox One. No comando deste revival está o estúdio francês Lizardcube, liderado pelo CEO e diretor criativo Ben Fiquet.
Conversamos com ele para entender como sua equipe conseguiu equilibrar o respeito pela herança da série com um toque moderno, tudo isso enquanto colocava uma quantidade incrível de paixão em cada detalhe.
Para apreciar a importância deste retorno, vale lembrar que Shinobi definiu toda uma geração de jogadores no final dos anos 80. Nascido nos arcades e lançado posteriormente no Master System e Mega Drive, o ninja Musashi, vestido de branco, tornou-se um ícone dos anos dourados da Sega.
Jogabilidade desafiadora, visuais marcantes e trilhas sonoras inesquecíveis fizeram de Shinobi um símbolo da era de ouro do gênero de ação em 2D.
À medida que o dia do lançamento se aproxima, as emoções estão à flor da pele na Lizardcube: “Claro que há um pouco de apreensão, mas também muita empolgação”, explica Fiquet. “Lançamos uma demo no final de julho e o retorno foi excelente. Isso realmente nos tranquiliza sobre como o jogo será recebido e sobre trazer essa série icônica de volta à vida.”
Essa empolgação motiva a equipe, que vê esse lançamento não apenas como uma conquista, mas também como uma grande responsabilidade: entregar uma experiência digna do nome Shinobi.
Reviver uma série tão emblemática exige encontrar um equilíbrio delicado. Para Fiquet, o desafio era claro – estender as memórias dos jogadores sem simplesmente replicar o passado: “Os jogadores não querem jogar exatamente o mesmo jogo que conheceram no Master System ou Mega Drive. Eles guardam memórias fortes, mas a jogabilidade evoluiu. Nosso papel é prolongar essas lembranças enquanto as adaptamos às expectativas de hoje.”
Essa é a filosofia que guiou a Lizardcube: permanecer fiel à identidade da franquia enquanto aprimora suas mecânicas para uma nova era.
O (visual) 2D nos dá um controle mais fino, quase uma intimidade, sobre cada pixel
Ben Fiquet, diretor criativo no estúdio Lizardcube
Essa expertise não é novidade para o estúdio parisiense. Tendo trabalhado em Wonder Boy: The Dragon’s Trap (2017) e Streets of Rage 4 (2020), a Lizardcube conquistou sua reputação como especialista em trazer franquias queridas de volta à vida. Sua força está em recriar uma atmosfera fiel enquanto adiciona polimento artístico e de jogabilidade que eleva a nostalgia a algo novo. Com Shinobi: Art of Vengeance, essa visão assume uma escala totalmente nova.
Desde as primeiras imagens, o estilo distinto do estúdio é inconfundível. Em vez de optar por uma abordagem realista em 3D, a equipe decidiu abraçar a animação tradicional em 2D — uma escolha ousada no cenário atual.
“O 2D nos dá um controle mais fino, quase uma intimidade, sobre cada pixel. Existem um aconchego e uma honestidade na animação desenhada à mão que nem sempre se encontra no 3D.”
Essa direção artística confere ao jogo uma sensação de atemporalidade, lembrando clássicos como Cuphead ou Street Fighter III: 3rd Strike, ao mesmo tempo que presta homenagem ao legado visual de Shinobi.
Mas além da estética, a sensação de jogar foi central para o desenvolvimento. “Eu adoro jogos que vão direto ao ponto: você inicia, joga e imediatamente se diverte”, explica Fiquet.
O sistema de combate reflete essa filosofia: combos, investidas, saltos duplos e execuções fluem naturalmente, sem tutoriais extensos. Cada confronto parece um pequeno desafio recompensador, quase como um minijogo dentro do próprio jogo.
Uma mecânica exclusiva de “execução” ainda recompensa os jogadores por encadearem inimigos com habilidade, transformando o combate em uma dança rítmica e espetacular.
Eu sou um garoto Sega. Cresci com o Master System e o Mega Drive, e Shinobi foi um dos meus primeiros jogos
Ben Fiquet, diretor criativo no estúdio Lizardcube
Exigente, mas acessível, o jogo também inclui opções para ajustar a dificuldade, tornando-o convidativo para iniciantes sem perder profundidade para veteranos. Shinobi: Art of Vengeance foi pensado para que todo tipo de jogador encontre seu próprio ritmo, um ponto de entrada acolhedor para os curiosos e um playground perfeito para os experientes no Xbox Series X|S.
Embora Shinobi seja uma franquia tipicamente japonesa, Fiquet destaca a dupla identidade do projeto. “Eu sou um garoto Sega. Cresci com o Master System e o Mega Drive, e Shinobi foi um dos meus primeiros jogos.”
Essa conexão pessoal se une a um profundo respeito pelo artesanato japonês: “Nós não fazemos jogos japoneses, mas temos um enorme respeito pela cultura dos jogos japoneses. Nosso toque francês se mistura a esse legado, e foi isso que convenceu a Sega.”
Dar novo fôlego a uma franquia tão lendária não é tarefa fácil, mas a relação da Lizardcube com a Sega foi construída ao longo do tempo. “Havia um respeito mútuo real. Claro, existem diferenças culturais e ritmos de trabalho diferentes, mas toda conversa era sobre melhorar o jogo. Encontramos uma ótima sinergia.” Graças a essa confiança mútua, cada troca com a Sega era focada em aprimorar o jogo, sempre com respeito ao espírito original de Shinobi.
Para ampliar a experiência, Shinobi: Art of Vengeance também inclui segredos, poderes e skins desbloqueáveis. E isso é só o começo: o primeiro DLC já foi revelado. “É o ‘Sega Villains Stage’. Você vai enfrentar antagonistas icônicos de todo o universo Sega. O primeiro que anunciamos é o Robotnik. Ver Musashi enfrentando Robotnik é um verdadeiro presente para os fãs, mas é exatamente esse tipo de coisa que torna trabalhar com a Sega tão empolgante.”
Com Shinobi: Art of Vengeance, o estúdio Lizardcube entrega muito mais do que o retorno de um herói lendário ao Xbox – ele oferece uma carta de amor aos videogames: à sua herança, ao seu desafio e à sua habilidade de evoluir. Essa é uma aposta ousada, feita com paixão e precisão, provando que uma lenda pode retornar sem precisar perder sua essência.


